sexta-feira, 4 de maio de 2007

Os imortais lembrarão-se


Passei algumas horas fumando meu ópio, nessa fatídica tentativa de matar esses meus fantasmas. Acordei por estes dias carregando uma saudade na garganta (a já antiga mão que me enlaça, consternando-me do respirar), uma dor em algum lugar insondável dentro de mim.
De súbito tudo pareceu uma ilusão: nenhum deles jamais existiu realmente. Eu os inventei, um a um, e os poucos que de fato foram reais consegui perder. Senti-me então tão longe, tão distante do que me parecia real. Ainda não acostumei-me ao fato de que tudo foi imaginação.
Eram meus amigos, meus amores, meus pais: nunca existiram de fato. Era tudo tão conveniente, tudo tão belo (você me amava naquele lugar, e eu o tinha para mim). Fazia eu respirar de novo os mortos, trazer os amores de volta, meu pai segurava minha mão.
Pensar que tudo foi uma mentira: meu avô está morto, Emily está morta, Sr. e Sra. Blankenheimer estão mortos, Philip está morto, Brian, Julie, Nina. Talvez esteja eu morto entre eles. Essa vida nunca existiu.
Morrendo meus amores, e eu sozinho, a criança frágil lutando para manter consigo seus desenhos feiosos.

Vou então imergindo no lago, onde todos eles me esperam ainda vivos.
"Quando a noite escura parecer interminável, por favor lembre-se de mim".

3 comentários:

Gabrielle disse...

Oh, meu ser autístico, não fique assim! Não há nada que uma seção integral e ininterrupta de aulas de matemática, física & Cia. não ajudem. SE a tristeza de sua passividade em lidar com a realidade for muito grande me chame . Iremos imediatamente a um congresso de aritmética ou a um ritual exorcista com o papa , aproveitando que ele está batendo as asas pro Brasil.

Bina Goldrajch disse...

Você só precisa de uns copos de vinho.

Patrícia disse...

isso tdo é saudades de mim?? calma q eu logo logo estou de volta...