
A enfermeira tomou-me pela mão e me guiou sala adentro. O ambiente demasiadamente iluminado pelas lâmpadas fluorescentes e o ar gélido contribuíam para o clima inóspito, típico dos hospitais. No âmago do ser, confesso, aprecio o odor inconfundível de éter.
Em sua face agora inexpressiva, seus olhos mantinham-se fechados; uma dor forte no peito consumia-me a alma, vendo-o deitado, inerte, naquela maca hospitalar. já faziam algumas horas que ele estava morto, e o corpo esfriava paulatinamente, sem prover de vida alguma.
-Respire mais uma vez, eu imploro.
Ele já não poderia mais ouvir-me. A enfermeira havia abandonado a sala, agora éramos sós.
Toquei de leve sua alva roupa, desprendendo-lhe os botões, e soltando o tecido. Tirei-lhe todo o pano. Peça por peça.
Tranquei a porta do quarto com a chave.
Subindo na maca, pus sobre ele meu corpo nu. Tocávamos-nos. Podia senti-lo como ainda em vida, naquele necrótico abraço. Volúpia talvez unilateral.
Passei meus lábios por sobre os dele, por sobre sua pele branca. Ardia-me o sexo de tanto amor. Tive-lhe até o fim.
Já vestido, abri a porta e saí para o corredor.
- Adeus, mein herr, desprovido fui de evitar tamanho amor. Perdoe-me.
